sexta-feira, 19 de junho de 2015

Deficiência nas vitaminas hidrossolúveis






Dentre as vitaminas hidrossolúveis, as que apresentam maior prevalência de deficiência nutricional no pós-operatório de cirurgia bariátrica desabsortiva são: B12 (cobalamina ou cianocobalamina), ácido fólico (vitamina M) e B1 (tiamina). A vitamina B12 é normalmente absorvida no íleo terminal. Contudo para que a absorção ocorra, a vitamina B12 deve estar vinculada ao fator intrínseco, uma glicoproteína produzida por células parietais no estômago e quebrada na presença de ácido hidroclorídrico e pepsina. Isto usualmente ocorre no estômago distal e duodeno, ambos sendo desviados após uma bypass em Y-de-Roux. Essa vitamina está presente em maiores quantidades nos alimentos de origem animal, como peixes, carnes, ovos, leite e derivados e possuí função de manutenção do sistema nervoso e formação sanguínea (Panziz, C. 2005).
A deficiência de ácido fólico é menos comum do que a deficiência de B12 e ocorre secundariamente a ingestão diminuída na dieta. Embora a absorção de ácido fólico ocorra preferencialmente na porção proximal do intestino, ela pode acontecer ao longo de todo o intestino delgado. Em contraste com a vitamina B12, pouca quantidade de ácido fólico é armazenado no organismo, sendo necessária reposição constante dessa vitamina através da ingestão de alimentos ricos em ácido fólico para manter os níveis séricos adequados, os sintomas de deficiência de folato incluem: anemia macrocítica, leucopenia, trombocitopenia, glossite e níveis elevados de homocisteína.
Em relação à tiamina, foi constatado que apesar da baixa prevalência, uma das mais graves formas de deficiências nutricionais está relacionada com a falta dessa vitamina. Como os estoques corporais são pequenos, cerca de 25-30 mg, uma dieta deficiente pode depletar estes estoques em 2-3 semanas. A patogênese da deficiência de tiamina pós-cirurgia pode ser devido à redução na produção de ácido clorídrico, restrição na ingesta alimentar, vômitos frequentes e rápida perda de peso. A vitamina B1 é crucial no metabolismo de carboidratos e as manifestações clínicas podem ocorre de duas formas: síndrome de Wernicke-Korsakoff (oftalmoplegia, ataxia e alteração de memória) e béri-béri (Torezan, E.F.G. 2013). Em relação à vitamina C, a ocorrência de deficiência nutricional não é comum, porém sua suplementação auxilia na prevenção da carência de ferro, uma vez que ela auxilia na absorção do mesmo.
Visando evitar as complicações decorrentes da deficiência dessas vitaminas no organismo, utilizamos a suplementação como fator protetor, sendo as recomendações as seguintes: B12 – prevenção; 350 mcg/dia ou 1000 mcg /semana na forma oral ou 1000 mcg/mês ou 3000 mcg a cada 6 meses na forma intramusucular. Tratamento; 1000-2000 mcg/dia por via oral ou 1000 mcg/semana intramuscular até a correção dos sintomas. Ácido fólico – prevenção; polivitamínico de rotina (400 mcg/dia), ou tratamento; 1-5 mg/dia. Tiamina – prevenção; deve ser feita com o uso de polivitamínico de rotina. Pacientes com vômitos persistentes após realização de cirurgia bariátrica devem receber suplementação agressiva de tiamina (100 mg/dia) via endovenosa por 7-14 dias. Tratamento; se sintomas neurológicos característicos de deficiência de vitamina B1 estiverem presentes (Síndrome de Wernicke-Korsakoff ou neuropatia periférica), reposição parenteral de tiamina (500 mg 3 vezes ao dia por 2-3 dias), seguida de 250 mg/dia via endovenosa por 5 dias e posteriormente 30 mg/dia 2 vezes ao dia por via oral deve ser realizada.
Dessa forma, fica evidente a importância da realização de um acompanhamento nutricional visando prevenir as possíveis deficiências nutricionais de vitaminas hidrossolúveis.

Referências:
1.     Paniz, C., Grotto, D., Schmitt, G. C., Valentini, J., Schott, K. L., Pomblum, V. J., & Garcia, S. C. (2005). Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. J Bras Patol Med Lab41(5), 323-34.
2.     Torezan, E. F. G. (2013). Revisão das principais deficiências de micronutrientes no pós-operatório do Bypass Gástrico em Y de Roux.IJNutrology6(1).







Carência de vitaminas e minerais no pós operatório de Bariátrica









Os procedimentos de cirurgia bariátrica exercem influência no estado nutricional do paciente devido às alterações anatômicas e fisiológicas a que o trato gastrointestinal é submetido, e consequentemente as vias de absorção e/ou ingestão alimentar ficam prejudicadas (Bordalo, L.A. et al, 2011). Podemos classificar as cirurgias bariátricas em dois grupos: as puramente restritivas – balão intragástrico ( embora não seja uma cirurgia, por ser colocado por uma endoscopia – é um método restritivo)  e banda gástrica ajustável; as disabsortivas – derivação biliopancreática/Duodenal Swtich (DBP/DS) e bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR) chamadas de cirurgias mistas ( esta é a cirurgia mais realizada no mundo) , que utilizam a junção de ambos os procedimentos (Parkes, E. 2006). Vale ressaltar que outros fatores como; dieta, tabagismo, idade, sexo e outros fatores influenciam o perfil de vitaminas e mineiras as quais o paciente tem maior risco de apresentar deficiência graves.
No caso das cirugias apenas restritivas, podemos prevenir tais carências com o uso de polivitamínico, devido ao fato da intervenção cirúrgica não causar alterações absortivas. Já no segundo e terceiro grupos, as complicações são mais complexas, sendo necessária maior atenção. No caso da DBP as deficiências mais comuns são em relação às vitaminas A, D e K, zinco e ácidos graxos essenciais, já no BGYR podemos evidenciar como principais as deficiências de vitamina B12, ferro e ácido fólico (Bordalo, L.A. et al, 2011).
Outro ponto pertinente a se destacar diz respeito à forma de apresentação dos polivitamínicos, podendo ser na forma usual (inorgânica) ou na quelada. A vantagem da forma quelada está relacionada à absorção e aceitação do paciente, pois nessa forma as vitaminas e minerais presentes no comprimido não reagem com outros nutrientes e medicamentos, garantindo uma melhor disponibilidade e aceitação do paciente.
Dessa forma torna-se imprescindível o acompanhamento nutricional do paciente tanto no pré-operatório (visando diagnosticar as possíveis deficiências de maior risco) quanto no pós-operatório.

Referências:
1.     Bordalo, L. A., Teixeira, T. F. S., Bressan, J., & Mourão, D. M. (2011). Cirurgia bariátrica: como e por que suplementar. Revista da Associação Médica Brasileira57(1), 113-120.

2.     Bordalo, L. A., Mourão, D. M., & Bressan, J. (2011). Deficiências nutricionais após cirurgia bariátrica: por que ocorrem?. Revista de Exemplo24, 1021-8.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Saciedade, você sabe o que é ?

Saciedade



Saciedade é o processo inverso da fome; a condição da pessoa cujo apetite foi completamente saciado. Porém, para que ocorra, existem muitos mecanismos relacionados, por exemplo: os hormônios; a distensão gástrica; o esvaziamento gástrico; a presença de comida no intestino; e o consumo de fibras e de proteínas.
O comportamento alimentar, incluindo a saciedade, é regulado por diferentes circuitos cerebrais. Estes circuitos estão sob o controle modulador de hormônios periféricos, como a leptina e a grelina, que sinalizam informações sobre o estado metabólico atual e que atuam nos neurônios específicos dentro do circuito, como os do hipotálamo, que regulam a alimentação e o comportamento alimentar relacionado.
A leptina é produzida no tecido adiposo e quando está em baixa quantidade no organismo – o que ocorre com a redução dos depósitos de gordura corporais - faz com que a necessidade de ingestão de alimentos aumente. Quanto à grelina, sua concentração sanguínea se eleva quando o estômago fica vazio, fazendo com que a vontade de se alimentar seja aumentada.
 Além desses dois hormônios citados acima, outro importante no nosso organismo é a colecistoquinina, uma proteína que o intestino libera na corrente sanguínea quando existe a presença de alimentos neste órgão. Sua função é de estimular o centro de saciedade no cérebro e impedir a ingestão exagerada de calorias.
A distensão gástrica, produzida pelo armazenamento do alimento ingerido, e o tempo de permanência deste alimento no estômago (esvaziamento gástrico) também é capaz de produzir saciedade. Alimentos sólidos, com maior teor de fibras e proteínas são capazes de retardar o esvaziamento gástrico e assim prolongar a saciedade. Dessa forma, as chamadas “calorias líquidas”, por exemplo as bebidas açucaradas e refrigerantes, não promovem o mesmo grau de saciedade que as “sólidas” e podem favorecer a ingestão em excesso de calorias.
Todos estes mecanismos são utilizados para mantermos uma sensação de saciedade. No entanto, é normal sentirmos fome - sensação de procurar e ingerir algum alimento. Isso é um fenômeno natural que ocorre devido ao aumento da concentração de grelina no sangue quando o estômago fica vazio, e de outros mecanismos hormonais, além de uma diminuição no organismo de aminoácidos, gordura e glicose.
É importante ressaltar que a ingestão de alimentos não ocorre apenas pelo mecanismo fisiológico da fome, mas também pode ser estimulada pelo cheiro dos alimentos, acontecimentos sociais e fatores emocionais. Quando comemos sem ter fome e não gastamos esta energia, nosso corpo estoca esses nutrientes em forma de gordura, levando ao aumento de peso.
O consumo de doce em excesso, por exemplo, pode aumentar nossa sensação de fome, pois ele gera um pico de glicose no sangue. Com isso, há uma elevação dos níveis de insulina no organismo, fazendo com que esse açúcar seja absorvido rapidamente por nossas células. Em consequência disso, os níveis de glicose no sangue caem novamente, causando-nos fome.
Existem alguns “truques” para que a sensação de saciedade seja mantida ao longo dia. Realizar de 5 à 6 refeições por dia é um deles, pois assim você não fará um longo período de jejum e não estará com tanta fome na próxima refeição,  e consequentemente, a porção de alimentos desta refeição não será exagerada. Outro “truque” é sempre consumir a maior diversidade possível de alimentos, para poder consumir uma grande quantidade e variedade de nutrientes existentes em cada um deles.
A fim de evitar a sensação de “fome noturna” (quando parece que nada do que comemos é suficiente) é importante uma boa alimentação ao longo do dia, para que os níveis de serotonina – hormônio relacionado à sensação de prazer e de saciedade - diminuam.
Portanto, fica evidente que se alimentar várias vezes ao dia, com diversidade e quantidade adequada de alimentos, faz com que nosso organismo produza maior sensação de saciedade.



Referências:
R. van Zessen et al. Contribution of the mesolimbic dopamine system in mediating the effects of leptin and ghrelin on feeding. Proceedings of the Nutrition Society (2012), 71, 435–445. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22800867Bachman, J.L & Raynor, H.A. Effects of manipulating eating frequency during a behavioral weight loss intervention: a pilot randomizedcontrolled trial. Obesity (2012) 20, 985–992. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Effects+of+manipulating+eating+frequency+during+a+behavioral+weight+loss+intervention%3A+a+pilot+randomized+controlled+trial.
Site Dr. Drauzio Varella. Disponível em: http://drauziovarella.com.br/obesidade/controle-do-apetite/