terça-feira, 21 de agosto de 2012

Mitos e verdades sobre a cirurgia para obesidade.





Em um ano de pós-operatório, o paciente normalmente engorda.
Mito.
Na maioria dos casos, o ganho de peso ocorre quando o paciente não assume hábitos saudáveis, como a adoção de dieta menos calórica e mais nutritiva e a prática de exercícios físicos regulares.

Perde-se mais peso nos primeiros seis meses.
Verdade.
A perda mais significativa de peso ocorre nos primeiros seis meses. Daí a importância de o paciente seguir com disciplina as recomendações médicas nessa primeira etapa do pós-operatório.

Quem faz a cirurgia bariátrica fica propenso a alcoolismo, uso de drogas ou comportamento compulsivo para compras.
Mito.
Não existe nenhuma evidência científica de que, no pós-operatório, o paciente comece a ter tendência ao alcoolismo ou ao uso de drogas. Quanto à compulsão por compras, pode-se evitar um comportamento desse tipo por meio de acompanhamento psicológico. A evolução histórica das cirurgias mostra que o paciente, ao perder peso, resgata a autoestima e por isso passa a ter prazer em adquirir roupas e outros produtos de uso pessoal.

A mulher pode engravidar no pós-operatório.Verdade.
A paciente é liberada para engravidar sem riscos após 15 meses de pós-operatório. Durante esse período, recomenda-se a anticoncepção. No entanto, os anticoncepcionais orais (pílulas) devem ser evitados.

Sempre é possível fazer a cirurgia videolaparoscópica.Verdade.
Somente em situações especiais não é possível realizar esse tipo de cirurgia. É o caso, por exemplo, de pessoas submetidas a cirurgias abdominais prévias.

A depressão é uma consequência comum para quem faz a cirurgia.Mito.
Não existe uma tendência. Se o paciente ficar deprimido, isso pode ocorrer devido a fatores desconhecidos, que devem ser investigados por psicólogo ou psiquiatra.

Há tendência à anemia no pós-operatório.Verdade.
De fato isso ocorre. Entre os pacientes, as mulheres têm maior tendência à anemia, por causa da menstruação, perda de ferro e pouca presença de carne vermelha na dieta. Essa situação pode ser minimizada com a ingestão de alimentos ricos em ferro, ou, se necessário, com a utilização de suplementos vitamínicos.

Depois da operação, é comum a intolerância a leite. Mito.
Normalmente não há reações adversas ao consumo de leite e derivados. Esses alimentos são, inclusive, recomendados, sobretudo para as mulheres, como fontes de cálcio.

O apoio da família e à família é indispensável. Verdade.
Deve-se prestar toda a assistência e orientação à família do paciente, oferecendo o máximo de informações solicitadas e, quando necessário, também consulta psicológica. Os novos hábitos a serem adotados pelo paciente devem ser compartilhados e estimulados por todos que convivem com ele.

A cirurgia causa problemas renais. Mito.
Não foi observada tendência a problemas renais.

O paciente sente muitas dores no primeiro mês do pós-operatório. Mito.
Normalmente, as dores se manifestam somente no primeiro dia do pós-operatório. Isso acontece porque o abdômen precisa ser inflado com gás carbônico na cirurgia por videolaparoscopia, para possibilitar a melhor manipulação dos órgãos internos. 

O paciente que sofre de gastrite pode ser operado. Verdade.
Não há restrição cirúrgica para paciente com gastrite.

Depois da cirurgia bariátrica, o paciente deve fazer cirurgia plástica corretiva. Mito.
Nem sempre é necessário fazer cirurgia plástica após o procedimento bariátrico. Cada caso deve ser avaliado criteriosamente pela equipe multidisciplinar responsável pelo tratamento.

Durante a videolaparoscopia, há situações em que é preciso converter a cirurgia em procedimento aberto. Verdade.
Algumas situações exigem que o cirurgião converta a videolaparoscopia em procedimento aberto. Essa decisão é baseada em critérios de segurança e só pode ser tomada durante o ato operatório.


Retirado de www.sbcbm.com.br.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Balão Intragástrico.



O que é o balão gástrico?
O balão gástrico é um recurso clínico de tratamento do sobrepeso e  obesidade. Consiste na colocação de um balão de silicone no estômago por endoscopia que preenche de 1/3 a metade da cavidade gástrica. O Balão promove diminuição do esvaziamento gástrico, ou seja, retarda a saída do alimento ingerido, estendendo a  saciedade. O balão  proporciona uma oportunidade de reeducação dos hábitos alimentares e melhora da relação do indivíduo com a comida e seus impulsos de fome. É um método de tratamento usado há vários anos que se aprimorou com a melhora da qualidade e segurança dos balões mais modernos.

Como é a colocação e a retirada do balão gástrico?
O processo de colocação é feito com o paciente sob sedação (sem necessidade de anestesia) com introdução e preenchimento guiados pela endoscopia e dura em torno de 10 a 15 minutos. Embora não seja um procedimento cirúrgico e nem precise de internação, é normalmente realizado, por segurança, em ambiente hospitalar com supervisão de um anestesista. Após a colocação é feito o enchimento do balão com  400 a 700 ml de uma solução salina ( soro fisiológico) e um marcador azul (corante) .
Nem todos os balões são preenchidos com líquido, também existe um modelo de balão que, ao invés de líquido, é preenchido apenas com ar.
O balão pode permanecer dentro do estomago por um período de 4 a 6 meses, esse tempo é variável pois algumas marcas de Balões orientam 4 meses e outras até 8.
A retirada do Balão também é feita por endoscopia como a colocação.

Quais as vantagens do Balão Gástrico como método de tratamento da obesidade?
As principais vantagens são (1)reversibilidade: diferentemente da cirurgia bariátrica, um método irreversível, o BG pode ser retirado a qualquer momento no caso de alguma intolerância; (2) baixo risco de complicações: as complicações com o uso do balão são bem controladas com o auxilio de fármacos, quando o procedimento é feito por uma equipe multidisciplinar não observamos nenhum risco a saúde do paciente e (3) repetibilidade: embora não seja comum, o BG pode ser colocado sucessivas vezes, se necessário. Outra vantagem é que por promover emagrecimento sem necessidade do uso de medicamentos moderadores de apetite com ação no sistema nervoso central é uma boa alternativa para pacientes que apresentam intolerância, contra-indicações ou ausência de resposta com estes medicamentos. Entretanto, é importante ressaltar que o BG é um método temporário (6 meses),  que necessita de forte comprometimento por parte do paciente e ainda possui um custo mais elevado que o tratamento medicamentoso.

Perda de peso esperada com o balão gástrico?
Embora a perda média fique entre 15 a 20% do peso inicial, há que se destacar que esta perda é extremamente variável e depende de vários fatores como peso inicial, adaptação, volume de preenchimento, tipo de balão (ar ou líquido), disposição emocional para mudanças, adesão ao controle clínico e nutricional, grau de atividade física, metabolismo basal, etc.

Como o balão gástrico pode ajudar a emagrecer?
Sabemos que o estômago, quando vazio, secreta a grelina, um potente estimulante do apetite no cérebro e até o momento não existe uma medicação que inibe a secreção deste hormônio. Assim, a distensão do estômago pelo balão causa diminuição da secreção da grelina (reduzindo o apetite) e aumenta a saciedade pela sua ação mecânica sobre o sistema nervoso autônomo.

Para quem está indicado o balão?
O balão gástrico está normalmente indicado para pacientes com obesidade que já tentaram os outros tratamentos clínicos - dieta, atividade física e medicamentos – mas tiveram resposta insatisfatória. É também indicado para aqueles que não toleram medicamentos devido aos efeitos ou não podem usá-los devido a alguma doença ou condição clínica. Apesar de estar indicado para o tratamento da obesidade, estudos mais recentes avaliaram o uso do BG em pacientes pré-obesos com boa resposta e segurança.

Quais são as contraindicações para colocação do balão gástrico?
Antes de se proceder a colocação é importante avaliar cuidadosamente se o paciente não possui contraindicações ao BG como úlcera péptica, hérnia hiatal significativa, passado de cirurgia gástrica, problemas de coagulação, esofagite grave, uso crônico de antiinflamatórios e alcoolismo. Daí a importância de se realizar exames laboratoriais e uma endoscopia prévia. Pode estar ainda indicada uma avaliação psicológica para se avaliar o grau de comprometimento, compreensão e expectativas por parte do paciente. 

Quais os cuidados após a colocação do BG?
A primeira semana é a que requer mais cuidados devido à adaptação do organismo com a presença do balão. Embora o volume do balão não seja muito diferente do volume de uma refeição usual (considerando a comida e bebida) temos que lembrar que no caso da refeição os movimentos do estômago irão promover o seu  esvaziamento o que não ocorre na presença do balão. Por isso, normalmente são prescritos medicamentos para inibir a acidez do estômago bem como as cólicas, náuseas e vômitos que representam uma resposta fisiológica do organismo. Mesmo assim, 80% dos pacientes apresentam algum episódio de vômito nesta fase de adaptação. Além disso, deve se ter um cuidado especial com a dieta, prescrita e acompanhada por uma nutricionista especializada, inicialmente líquida evoluindo para pastosa e normalizando a consistência com o passar dos dias com grande atenção para a mastigação. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas nesta fase. O acompanhamento clínico e nutricional – e psicológico quando necessário - é fundamental para que o paciente aproveite ao máximo o benefício proporcionado por este método de tratamento e alcance os resultados desejados.

Quais as diferenças entre um balão prenchido com ar ou líquido?
A principal diferença é o peso de cada um no estômago, aproximadamente 600g para balão de líquido e 30g para balão de ar. Os balões preenchidos com ar costumam oferecer melhor adaptação na fase inicial mas segundo alguns estudos e pela observação na prática clínica parecem promover menor perda de peso, pois para algumas pessoas o peso do balão possui um efeito adicional na percepção da saciedade. Uma vantagem do balão preenchido com líquido é que, por conter um corante, em caso de vazamento o paciente poderá perceber a cor azulada da urina o que não ocorre com o balão de ar.

Quais as possíveis complicações com o balão gástrico?
O BG é considerado hoje um método de baixo risco comparado a outras formas de tratamento da obesidade como medicamentos e cirurgia bariátrica. Embora pouco frequentes, as principais complicações já observadas foram esvaziamento do balão e migração para o intestino (geralmente é eliminado na evacuação mas raramente pode ocorrer obstrução), aparecimento de úlcera gástrica, colonização por fungos, desidratação por vômitos na fase de adaptação. Estas complicações são raras sobretudo quando há uma indicação criteriosa,  uma avaliação laboratorial e endoscópica prévia à colocação, escolha de um endoscopista experiente, um acompanhamento clínico-nutricional constante e principalmente se respeita o tempo de duração de seis meses. As complicações mais observadas nos estudos foram em pacientes que não voltaram para retirada do balão no prazo recomendado, o que denota a importância de uma boa aliança médico-paciente no momento de se indicar este tipo de tratamento. Devido à presença do corante no balão, em caso de esvaziamento do balão, o paciente perceberá uma cor azul na urina ou nas fezes que o alertará para a procura de orientação médica e programação da melhor conduta.

Após a retirada do balão poderá haver recuperação do peso perdido?
De fato, a colocação de um balão gástrico pode ter um efeito apenas transitório se não houver um envolvimento do paciente com as mudanças na alimentação, estilo de vida e principalmente da autoestima que poderão ser alcançadas neste tratamento. Por isso, há um grande enfoque no preparo e acompanhamento profissional para que o paciente não se apoie na ilusão de que apenas preencher o estômago com um balão de silicone irá resolver, de forma mágica, seus problemas. Deve-se lembrar que a recuperação de peso pode ocorrer com qualquer modalidade de tratamento da obesidade (até mesmo nas cirurgias bariátricas) se não houver uma participação ativa do paciente neste processo. Assim, o papel fundamental do acompanhamento clínico é manter os cuidados necessários para que, neste período, a pessoa tenha condições de emagrecer, reeducar seus hábitos e ganhar mais saúde para que, após a retirada, o paciente esteja pronto para se beneficiar dos diversos recursos disponíveis para prevenção da recuperação de peso.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

MANGA GÁSTRICA.



A manga gástrica, também conhecida como a gastrectomia vertical, é um procedimento cirúrgico que auxilia na perda de peso, sua principal função é restringir a quantidade de alimento que o estômago pode armazenar e reduz significativamente a fome na maioria dos pacientes. 
A manga gástrica é um procedimento puramente restritivo( diminui o volume do estomago), significando que não há mudança do trajeto dos alimentos no trato gastrointestinal que pode interferir com a absorção de nutrientes


 E, ao contrário da banda gástrica ajustável, a manga gástrica não envolve a implantação de qualquer objeto estranho no corpo. O procedimento apenas reduz o tamanho do estômago pelo fato de remover cerca de três quartos do seu volume.

Após o procedimento os pacientes não são capazes de comer muito de cada vez, de modo a alcançar o sucesso no emagrecimento e manter uma nutrição adequada, o paciente deve aprender a escolher os alimentos de alta qualidade e comer mais devagar. É necessário ter pequenas mordidas, mastigar tudo muito bem, e evitar beber durante as refeições. Em outras palavras, você para de "viver para comer" para começar a "comer para viver."