terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

EUA mudam indicação de cirurgia bariátrica

Índice de Massa Corpórea para a banda gástrica ajustável baixou de 35 para 30

Andrew Pollack, The New York Times - O Estado de S.Paulo

As pessoas não precisam mais ser tão obesas como era exigido até agora para se habilitarem a uma cirurgia destinada à perda de peso - ao menos nos Estados Unidos.
Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters
Alívio. Pelo menos 26 milhões de americanos poderão se submeter à cirurgia bariátrica com a redução do IMC mínimo exigido

A FDA (agência de vigilância sanitária americana) aprovou o uso do Lap-Band (banda gástrica ajustável), da Allergan, no tratamento de pacientes com obesidade de grau leve. A agência baixou a exigência mínima de índice de massa corpórea (IMC) de 35 para 30, desde que o paciente tenha problemas associados, como hipertensão ou diabete.

O Lap-Band é um anel de silicone inflável colocado na parte superior do estômago. Ele limita a quantidade de alimentos que a pessoa pode ingerir, fazendo com que ela se sinta satisfeita mais rapidamente.

Segundo a empresa, mais de 26 milhões de americanos poderão se submeter à cirurgia - quase o dobro dos 15 milhões que, com base nos critérios anteriores de indicação, tinham direito à operação. Obesos sem problemas associados não poderão se submeter à cirurgia. "Com o objetivo de levar a terapia para os pacientes que mais se beneficiarão com ela, a indicação aprovada fica limitada àquelas pessoas com mais riscos de complicações ligadas à obesidade", disse Karen Riley, porta-voz da FDA.

Até agora, o Lap-Band era autorizado para pessoas com IMC de no mínimo 40, caso não tivessem problemas de saúde por causa da obesidade, e de pelo menos 35 se sofressem alguma doença.

Com base nas regras anteriores, uma pessoa com 1,70 metro de altura teria de pesar 97,9 quilos para ter direito à cirurgia. Agora, basta ter 84,3 quilos para poder fazer a cirurgia.

Em dezembro do ano passado, uma comissão consultiva da FDA aprovou por oito votos a dois o pedido da Allergan, concluindo que os benefícios do uso do dispositivo nesse grupo de pacientes menos obesos excediam os riscos do procedimento.

Eficácia restrita. No Brasil, a banda gástrica é usada desde a década de 90 em pacientes com IMC acima de 35. Já foi considerada padrão ouro de tratamento, mas é pouco utilizada porque o índice de pacientes que voltam a engordar é alto (ao menos 20%). Hoje ela representa menos de 5% dos tratamentos cirúrgicos.

"A banda gástrica é um dos métodos cirúrgicos mais consagrados, mas é escolhido pela minoria dos pacientes. Ela exige um acompanhamento mais próximo do médico do que as outras técnicas e é mais fácil de burlar. Sem uma boa orientação, a recidiva é muito maior", diz Arthur Garrido Júnior, coordenador do grupo de cirurgia bariátrica do Hospital Oswaldo Cruz.

Para ele, o fato de os EUA terem reduzido o IMC para a indicação cirúrgica é uma boa notícia. "Há um esforço mundial para baixar o índice. Há muitos pacientes com IMC 30, 32, que possuem doenças associadas e não podem ser operados. E é a doença que justifica a operação", diz.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, Ricardo Cohen, concorda e diz que a decisão da FDA é um primeiro passo para que isso seja estendido para as outras técnicas. Cohen diz que a banda gástrica não é eficaz em obesos mórbidos, mas pode ser uma boa alternativa para pessoas com obesidade leve, com IMC menor.

Segundo Cohen, de 10 milhões a 12 milhões de brasileiros poderiam se beneficiar da técnica, caso a indicação do IMC também fosse reduzida aqui. "O que a FDA fez é um avanço. Não podemos considerar o IMC como único critério para operar alguém. Ele tem de ser mais um."

Escassez de drogas. Para especialistas, a nova indicação do Lap-Band nos EUA, combinada com a escassez de drogas para perda de peso, deve levar um número maior de pessoas moderadamente obesas a pensar numa cirurgia. Nos últimos meses, a FDA recusou a aprovação de novas pílulas para emagrecimento.

Aqui no Brasil, o cerco contra os emagrecedores também está fechando. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) convocou uma audiência pública para discutir a proibição desses medicamentos no País. Alega que os benefícios da perda de peso não superam os riscos. / COLABOROU FERNANDA BASSETTE


AS TÉCNICAS

Banda gástrica ajustável

Método menos radical. Uma prótese de silicone inflável e ajustável é colocada por laparoscopia na porção superior do estômago, deixando-o com a forma de uma ampulheta. A pessoa come menos e a perda de peso é de cerca de 20%

Derivação gástrica em Y de Roux

Método mais usado. A maior parte do estômago é isolada do processo digestivo e grampeada, por laparoscopia. O estômago é reduzido a um volume de 30 ml e conectado ao jejuno (a porção média do intestino), sem passar pelo duodeno. Em média, o paciente perde de 30% a 40% do peso.

Gastrectomia vertical

Método irreversível. Por laparoscopia, o cirurgião extrai 80% do estômago, que passa a armazenar entre 150 ml e 250 ml. O que sobrou é grampeado em forma do tubo que vai do esôfago até o duodeno. A pessoa come menos, mas absorve nutrientes normalmente. A perda de peso é de 35% a 40 %.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

TRANSIÇÃO NUTRICIONAL NO BRASIL ( FOME X OBESIDADE).

Nos últimos 35 anos, o Brasil passou por uma impressionante transformação. Completou a transição de país rural para sociedade urbana e industrial, deixou para trás índices vergonhosos de mortalidade infantil e analfabetismo e, depois que conseguiu domar a inflação, nos anos 1990, consolidou um aumento substancial da renda da população. Esse conjunto de fatores permitiu reduzir drasticamente o histórico problema da desnutrição e fome no Brasil. E resultou numa impressionante mudança no padrão físico/ nutricional do brasileiro. Desde 1974, quando foi feita a primeira pesquisa familiar que registrou peso e altura dos entrevistados, a população tornou-se mais alta. O déficit de altura entre crianças declinou da faixa dos 30% para menos de 10%. Nesse mesmo período, o brasileiro ganhou peso. Muito peso.

E é aí que a boa notícia começa a dar lugar à preocupação. O déficit de peso atinge hoje menos de 5% da população – o que é um indicador social e nutricional positivo. Mas o excesso (ou sobrepeso, como preferem dizer os médicos) e a obesidade explodiram.

A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em todas as regiões do país, em todas as faixas etárias e em todas as faixas de renda aumentou contínua e substancialmente o percentual de pessoas com excesso de peso e obesas. O sobrepeso atinge mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos e nada menos que 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos. Entre os 20% mais ricos, o excesso de peso chega a 61,8% na população de mais de 20 anos. Também nesse grupo concentra-se o maior percentual de obesos: 16,9%.

O IBGE segue os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) na conceituação de sobrepeso (Índice de Massa Corporal superior a 25%) e obesidade (IMC superior a 30%). PARA CALCULAR SEU IMC: WWW.ULTRANUTRI.COM.BR

São números que dão ao fenômeno contornos de epidemia. Mantido o ritmo atual de crescimento do número de pessoas acima do peso, em dez anos elas serão 30% da população – padrão idêntico ao encontrado nos Estados Unidos, onde a obesidade já se constitui em sério problema de saúde pública. O Ministério da Saúde constatou a mesma tendência no rastreamento telefônico que faz para monitorar fatores de risco para doenças crônicas. A explicação está principalmente no padrão de consumo alimentar. A POF de 2002/2003 mostrou que as famílias estão gradualmente substituindo a alimentação tradicional na dieta do brasileiro – arroz, feijão, hortaliças – por bebidas e alimentos industrializados, como refrigerantes, biscoitos, carnes processadas e comida pronta. Tudo mais calórico e, em muitos casos, menos nutritivos.

Ou seja, além de se constituir em problema pelos riscos decorrentes do sobrepeso em si – como doenças do coração e diabetes – o sobrepeso é causado por uma alimentação pouco saudável. Para agravar o quadro, a prática regular de exercícios físicos está longe de fazer parte dos hábitos do brasileiro. Pesquisa de 2008 mostrou que apenas 10,2% da população com 14 anos ou mais tem alguma atividade física regular. Quando forem divulgados os dados relativos ao consumo das famílias na POF de 2008-2009, será possível analisar em detalhes como está evoluindo o padrão alimentar no Brasil.

Esse conjunto de pesquisas é um instrumento da maior importância para a formulação de políticas de saúde pública. A obesidade é um desafio mundial, pelo que representa de redução na expectativda de vida e nos custos dos serviços de saúde. Em 2004, a Assembléia Mundial da Saúde - que é a instância deliberadora máxima da Organização Mundial da Saúde - chamou a atenção para esse risco e editou o documento chamado Estratégia Global em Alimentação, Atividade Física e Saúde. Nele, os governos de todos os países se comprometem a implementar políticas que estimulem padrões saudáveis de alimentação e de atividade física.

A pesquisa do IBGE ouviu 188 461 pessoas entre 2008 e 2009.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

AUMENTO DA OBESIDADE NOS ÚLTIMOS 30 ANOS

as últimas três décadas – de 1980 a 2008 – a obesidade quase dobrou no mundo, afetando hoje cerca de 205 milhões de homens (9,8%) e 297 milhões de mulheres (13,8%), ou seja, mais de meio bilhão de adultos acima de 20 anos. Estes percentuais são considerados alarmantes, uma vez que, em 1980, estavam em 4,8% (homens) e 7,9% (mulheres).

Os números são de uma pesquisa publicada hoje na revista científica The Lancet, baseada em dados epidemiológicos de vários países que incluem mais de 9 milhões de participantes. Outros dois estudos apresentados em paralelo apontam para diminuição dos valores da pressão arterial e do colesterol.

Realizado por pesquisadores americanos, ingleses e suíços, o estudo revela que em 2008 mais de um indivíduo em dez, na população mundial adulta, já era obeso, com maior porcentagem entre as mulheres. Entre os países ricos, os Estados Unidos aparecem, em 2008, em primeiro lugar, desde 1980, na taxa de obesidade, enquanto a população japonesa se mostra como a menos afetada pelo problema. O Brasil está na 19ª posição no ranking mundial de obesidade masculina e na 15ª posição na obesidade feminina.

O coordenador da pesquisa, Majid Ezzati, do Imperial College de Londres, comenta que “o sobrepeso e a obesidade, a hipertensão e o alto nível de colesterol não são patrimônio apenas dos países ricos, mas afetam também os países pobres e com renda média”.

A endocrinologista Maria Edna Melo, responsável científica do site da ABESO, diz que os números são preocupantes “e, de acordo com a previsão da OMS, o fato tende a piorar nos próximos anos, uma vez que o número de 400 milhões de obesos em 2005 deve elevar para 700 milhões em 2015, ou seja, um aumento de 75% em apenas 10 anos”. Ela afirma que “o preconceito com a obesidade e o tratamento da mesma contribui para isso”. Referindo-se aos estudos apresentados em paralelo, mencionados acima, diz que “a tendência ao controle de doenças classicamente associadas, como a hipertensão, pode refletir uma evolução no tratamento dessas doenças”.

O estudo agora publicado lembra que o sobrepeso – produto da má alimentação e da falta de atividade física – aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, estando na origem de 3 milhões de mortes por ano.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

BULIMIA NERVOSA.

A bulimia nervosa se caracteriza por grande consumo de alimentos em um tempo determinado( exemplo -1 hora), ou seja, uma compulsão alimentar( quando a pessoa come uma quantidade muito maior que uma peso com o mesmo tamanho, peso, idade) com sensação de perda de controle, os chamados episódios bulímicos.
A preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal leva o indivíduo a utilização de métodos compensatórios inadequados (ou purgativos) para o controle do peso, tais como vômitos provocados, uso de medicamentos (diuréticos, inibidores de apetite e laxantes), dietas, jejuns e atividade física muito intensa.
Ao contrário das pessoas com anorexia nervosa, os pacientes com bulimia geralmente estão com o peso normal ou excesso de peso. Eles freqüentemente ficam frustrados pela incapacidade de atingir o peso desejado. É comum achar que o vômito é um importante indicador desse transtorno. Porém, o comportamento de consumo compulsivo e excessivo de alimentos junto com a purgação é o dado mais importante para o diagnóstico de bulimia nervosa.

O comportamento compensatório mais comum é a indução do vômito, sendo estimulado o reflexo na garganta com dedo ou instrumentos (por exemplo, talheres, escova de dente, etc.).

É observado em bulímicos sintomas depressivos e alterações de humor, apresentando também ansiedade, alterações de personalidade (Borderline), ou até dependência química. Pacientes bulímicos ficam angustiados com os sintomas e conseguem procurar ajuda para acabar com o sentimento de culpa.

As evidências de episódios de vômitos são: marcas no dorso da mão usada para estimular o reflexo na garganta (sinal de Russel), glândulas salivares inchadas, erosão dos dentes, cáries, gastrite e esofagites. O uso abusivo de medicamentos e os vômitos causam desidratação ( diuréticos ou laxantes). Outros sinais vistos são: intestino preso, dores abdominais, feridas na garganta, complicações gastrintestinais e problemas cardiovasculares.

Os transtornos alimentares afetam particularmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino. Vários estudos têm demonstrado que as mulheres mais jovens constituem o grupo de maior risco para desenvolver esses transtornos por serem mais vulneráveis às pressões dos padrões socioculturais, econômicos e estéticos. A associação da beleza, sucesso e felicidade com um corpo mais magro tem levado as pessoas à prática de dietas abusivas e de outras formas não saudáveis de regular o peso. Dessa forma, as práticas de dietas severamente restritas representam um risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Portanto, essa conduta não deve ser estimulada indiscriminadamente.

O tratamento de pessoas com esses distúrbios deve ser realizado por uma equipe capacitada e formada por vários profissionais da saúde, inclusive um nutricionista, que poderá realizar a avaliação adequada para se fazer um extenso trabalho de educação nutricional e alimentar com esses pacientes e sua família.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ANOREXIA

Os transtornos alimentares não são caracterizados como doenças, mas são transtornos psiquiátricas e seu tratamento consistê em medicamentos, psicoterapia e terapia nutricional. Esses transtornos são determinadas por sérias alterações de padrão e comportamento alimentar, caracterizados pela preocupação intensa com alimentos calorias, peso e corpo.

Os quadros de transtornos alimentares mais frequentes são a anorexia nervosa e a bulimia nervosa.

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa caracteriza-se por perda de peso intensa e intencional através da prática de dietas extremamente rígidas por uma busca desenfreada da magreza, uma distorção grosseira na percepção da imagem corporal (tanto do tamanho quanto da forma) e alterações do ciclo menstrual (apresentando principalmente amenorréia – ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos). Alguns indivíduos pensam estar com excesso de peso generalizado, porém outros, apenas em algumas regiões específicas como abdomen, nádegas ou coxas. A perda de peso é vista como um sinal de extraordinária proeza e autodisciplina, uma vez que o ganho de peso é percebido como uma inaceitável perda de autocontrole. Portanto, a recusa em manter um peso mínimo considerado normal é um fator essencial para o diagnóstico da anorexia nervosa.

O início deste transtorno é mais comum na adolescência. As mudanças corporais na puberdade habitualmente aumentam a preocupação com o tamanho e a forma do corpo. Os pacientes são tipicamente introvertidos, obsessivos, perfeccionistas, sentem-se ineficientes e com baixa auto-estima. O desenvolvimento da doença pode ser visto como uma maneira de ganhar controle e autonomia, e normalmente recusam ajuda quando a doença se instala.

Pessoas com anorexia nervosa possuem algumas características típicas, como pele seca e amarelada, corpo muito magro (ou caquético), sensação constante de frio, cabelos quebradiços e sem brilho, lanugem (crescimento de pêlos em outras regiões do corpo), disfunções gastrintestinais (como intestino preso e dificuldades na digestão) e complicações cardiovasculares (relacionadas como as principais causas de morte).