sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mente feminina é mais propensa a pensar em comida

O cérebro do homem tem mais "força de vontade" que o da mulher para controlar o desejo de comida, indica estudo com voluntários que ficaram 17 horas em jejum e depois foram estimulados com imagens de seus alimentos preferidos.
O experimento, realizado nos EUA, tem seu resultado publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Para o estudo, os cientistas pediam aos participantes do teste que tentassem inibir a fome, ignorando o estímulo visual e pensando em outras coisas. Tanto homens como mulheres conseguiam diminuir a fome. O cérebro masculino, porém, revelou uma atividade menor nas áreas envolvidas com regulação de emoções. O cérebro feminino, aparentemente, continuava "ligadão" no desejo de alimento.
"Nosso estudo era sobre comparar a diferença de gênero na capacidade de inibição do desejo de comida durante estimulação. É sobre controle cognitivo", disse à Folha o principal autor, Gene-Jack Wang, do Laboratório Nacional Brookhaven, de Upton (EUA).
O estudo foi feito com 13 mulheres e 10 homens de peso normal, com média de IMC (Índice de Massa Corporal) de 24,8, considerado normal.
Depois de estimulados, os cérebros dos participantes eram examinados através de PET (tomografia por emissão de pósitrons). Os cérebros dos homens que adotavam a técnica de "inibição cognitiva" desligavam várias áreas associadas à regulação da emoção, como a amígdala, o hipocampo, a ínsula e o córtex orbitofrontal.
O estudo do grupo de Wang lembra que a capacidade de controlar emoções é fundamental, e que danos nesse sistema de inibição podem levar a distúrbios alimentares.
A interação entre genética e ambiente tem levado a uma epidemia de obesidade nos EUA, dizem os médicos. A predisposição nos genes se alia à maior facilidade de obtenção de alimentos calóricos demais.
"Nossa descoberta de uma falta de reação à inibição em mulheres é consistente com estudos comportamentais", escreveram os cientistas.
Bacon, pizza e chocolate
Os alimentos escolhidos para o teste vieram de uma lista apresentada pelos pesquisadores. Havia legumes e vegetais na lista. Mas os favoritos eram "bombas calóricas": pizza, lasanha, cheeseburger, sanduíche de bacon, queijo e ovo, sorvete ou bolo de chocolate.
"Gordura e açúcar provêm um monte de calorias. Levou milhares de anos para os nossos ancestrais descobrirem isso para nós. Não tínhamos o "luxo" disso até os últimos quarenta anos, quando pudemos produzir grande quantidade de comida a preço barato", diz Wang.
"Vários estudos recentes provaram que roedores que recebem açúcar intermitentemente se tornam tão viciados nele como se fosse álcool", diz Wang. Ele cita também uma pesquisa que monitorou centenas de homens e mulheres por 20 anos e mostrou várias diferenças no histórico de peso.
Homens ganharam em média 4,5 kg por década; mulheres tiveram ganho de 2,3 kg entre 1982 e 1992, e de 4,1 kg de 1992 a 2002. Em 1982, 90% das mulheres tinham peso normal, número que caiu para 74% duas décadas depois. Entre homens, 79% tinham peso normal em 1982 e apenas 43% em 2002.
Entre os obesos (IMC acima de 30), os números foram parecidos. Havia só 1% de homens ou mulheres obesos quando adolescentes, mas o valor subiu para 8% entre mulheres e 9% entre homens 20 anos depois.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

AMAMENTAÇÃO.

Muitas mães e gestantes não tem informações suficientes sobre o assunto, e muitas vezes, por essa razão deixam de amamentar seus bebês da forma correta ou simplesmente não amamentam pelo tempo necessário. Nesse artigo vamos esclarecer alguns mitos e dúvidas comuns referentes à amamentação

- Cerveja preta, canjica, canja, água inglesa aumentam a quantidade de produção de leite materno?

Absolutamente não! É importante que a mãe consuma quantidade suficiente de líquidos, preferencialmente água e mantenha uma dieta equilibrada. O consumo de bebidas alcoólicas é absolutamente proibido.

- O que é amamentação exclusiva?

Amamentação exclusiva é quando é oferecido para o bebê somente o leite materno como fonte de comida e bebida. E não são utilizados mamadeiras, bicos e chupetas.

- Por quanto tempo devo manter a amamentação exclusiva?

O tempo mínimo de amamentação exclusiva é de 6 meses. Este período foi estabelecido através de pesquisas e estudos com mães e bebês. Após os 6 meses de vida do bebê inicia-se a introdução de outros alimentos como: sucos, frutas amassadas e papinhas de legumes.

- O colostro não é o mesmo que o leite, então posso desprezar o colostro?

Não despreze o colostro. O colostro é rico em substâncias imunológicas e proteínas, sendo uma vacina natural para o bebê, além de ser nutritiva.

- O meu leite pode não ser forte o suficiente?

Não! O leite da mãe é na verdade adequado às necessidades do bebê. O leite fraco existe apenas em situações extremas como no caso de desnutrição profunda da mãe.

– O que é aleitamento de livre demanda?

O aleitamento de livre demanda consiste simplesmente em oferecer o peito ao bebê quando o mesmo demonstrar a necessidade, de modo geral isso acontece de 3 em 3 horas, mas se o intervalo entre as ofertas for um intervalo de tempo menor não significa que o leite não está sendo bom o suficiente. Pode significar por exemplo que a capacidade gástrica (espaço no estômago) do bebê ainda é muito pequena para mamar leite suficiente para 3 horas de intervalo.

- Quando está muito quente posso dar água na chuquinha para o bebê?

Não é necessário dar água para o bebê. É especialmente proibido o uso de mamadeiras. No caso de administração de medicamentos esses devem ser oferecidos para o bebê através de um copinho descartável de café ou uma colher. O uso de bicos de silicone, chupetas , mamadeiras e chuquinhas prejudicam a longo prazo o desenvolvimento dentário da criança e a curto prazo fazem com que o bebê perca o interesse no bico do peito da mãe e assim pare de mamar.

- Se o bebe arrotar no peito da mãe o leite seca?

Não há nenhum problema em o bebê arrotar no seu peito. O leite não secará por conta disso. A razão mais comum para o leite secar é a falta de estímulo, que consiste no simples ato de sucção pelo bebê.

- O bico do meu peito é para dentro, logo não posso amamentar?

Todas as mulheres saudáveis podem amamentar, independente do tipo do bico do peito. Muitas mulheres acreditam que a sucção é feita através do bico do peito. Mas, essa informação é errada. O que estimula a saída do leite é quando o bebê suga a aréola do seio e então o leite sai através do bico do peito. Não há nenhum problema se o bico é plano, saliente ou invertido (para dentro), como também não há nenhuma correlação no tamanho do seio.

- Se o bico do peito está rachado ou machucado, ou tenho o leite empedrado devo parar de amamentar?

Não, rachaduras e machucados no bico do peito decorrentes da amamentação não são prejudiciais ao bebê. Uma maneira prática de evitar rachaduras e futuros machucados no bico do peito é esvaziar um pouco o peito antes do bebê começar a mamar, isso ajuda a pega correta pelo bebê. Como regra geral não suspenda a amamentação exclusiva até que o seu bebê tenha completado 6 meses de vida.

- O bebê pode mamar no peito de outra pessoa que seja conhecida ou da mesma família?

Não, nunca, jamais o seu bebê deve mamar no peito de outra pessoa.E jamais amamente um bebê que não seja seu! O que pode acontecer é você ser doadora ou usuária de um banco de leite materno estabelecido dentro de um hospital, onde o leite das mães doadoras são pausterizados, examinados e armazenados de modo correto.

O ato de amamentar é algo muito importante e a falta de orientação durante a gestação fazem com que esse assunto tão sério se torne ainda mais complexo. Ler e conversar com a equipe médica de pré-natal é de suma importância. Tire todas as suas dúvidas com os profissionais da área de saúde que estejam ao seu alcance: nutricionistas, médicos, enfermeiros e psicólogos. Os benefícios e vantagens do aleitamento materno vão além do que muitos podem imaginar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

CREATINA - LIBERADA PARA USO NO BRASIL

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA - divulgou no dia 27 de abril de 2010 a Resolução RDC Nº 18, aprovando o Regulamento Técnico sobre Alimentos para Atletas que, entre outras medidas, libera a comercialização de suplementos de creatina no país.

Em 2005, a ANVISA havia proibido a comercialização do produto por não haver estudos suficientes sobre o efeito da substância na saúde dos usuários. Cinco anos depois, com diversas pesquisas realizadas e comprovando seu efeito benéfico, volta a comercialização legal do produto.

Mas o que é exatamente a creatina e como ela age no organismo?

A creatina é um nutriente natural encontrada nos alimentos, principalmente nas carnes (bacalhau – 3,0; salmão – 4,5; atum – 4,0; carne bovina – 4,5g/kg); ela também é encontrada no próprio organismo humano, que faz sua produção através de outros aminoácidos no fígado, pâncreas e rins.

Muitos estudos sobre a suplementação de creatina tem mostrado a possibilidade de aumentar as reservas desta substância no músculo em 10 a 20%, sendo que alguns estudos mostraram acréscimo de até 50% em seus níveis totais. Essa ampliação da reserva de energia no músculo é o que tem permitido aos atletas aprimorar o seu desempenho físico.

Qualquer pessoa pode utilizar a creatina?

A ANVISA deixa claro que a utilização do suplemento é exclusivo a atletas, ou seja, ”praticantes de exercício físico com especialização e desempenho máximos com o objetivo de participação em esporte com esforço muscular intenso”.

O uso não é recomendado para praticantes de exercício físico para recreação, estética e/ou promoção da saúde, pois não necessitam de grande explosão muscular. Uma dieta equilibrada é suficiente para atender as necessidades dessas pessoas.

Cabe ressaltar que a suplementação deve ser prescrita e acompanhada por um nutricionista ou médico e que sua utilização não substitui uma alimentação equilibrada. O produto também não pode ser utilizado por crianças, gestantes, idosos e portadores de enfermidades, mesmo que estes sejam atletas.

Quais são os efeitos adversos?

Durante muito tempo, vários efeitos adversos foram atribuídos ao uso da creatina, como náuseas, diarreia, desconforto abdominal, tonturas e principalmente problemas nas funções dos rins.

Após vários estudos, pode-se dizer que o maior efeito do uso da creatina é o ganho de peso corporal. Os efeitos colaterais citados não foram comprovados. Mesmo estudos que utilizaram animais com problemas renais já pré-existentes, o uso da substância não provocou nenhum agravo.

Qual a quantidade que deve ser ingerida?

A ANVISA limita o uso de creatina a 3g por dia. Muitos estudos foram realizados com o objetivo de definir a dosagem ideal para o consumo, sendo que alguns utilizavam uma fase de saturação, oferecendo 20g ao dia, durante cerca de 5 a 7 dias, e após diminuindo a quantidade para 5g ao dia. Contudo, recentemente tem sido evidenciadas que 3 g/dia por 30 dias apresentam o mesmo efeito. Assim, altas doses (20 g/dia) seriam desnecessárias para aumentar o conteúdo deste composto no músculo.

O consumo da creatina junto com glicose aumenta o conteúdo muscular deste composto em aproximadamente 10%. Há um aumento na captação de creatina pela fibra muscular e, consequentemente, sua ingestão com esse carboidrato simples pode aumentar seu efeito.

Portanto, o consumo de creatina é comprovadamente efetivo na melhoria do desempenho esportivo. Contudo, volta-se a repetir que é essencial o acompanhamento do profissional de Nutrição aos atletas que necessitarem fazer uso da substância.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

VICIO DE DROGAS X COMIDA EM EXCESSO.

Pesquisa publicada esta semana na edição on-line da revista Nature Neuroscience encontrou semelhança entre o mecanismo molecular que leva indivíduos ao vício em drogas e aquele que está por trás da compulsão pela comida.

Coordenado por Paul Kenny, do Instituto de Pesquisa Scripps, na Flórida, Estados Unidos, o estudo buscou uma razão científica para uma situação já constatada na prática por pacientes obesos, que é a imensa dificuldade em abandonar o hábito de ingerir alimentos não saudáveis.

Após três anos, os pesquisadores conseguiram confirmar as propriedades “viciantes” dos alimentos ricos em calorias e altamente gordurosos.

Por meio de modelos animais, o estudo realizado por cientistas norte-americanos consegue demonstrar que o desenvolvimento da obesidade está diretamente relacionado à deterioração progressiva do equilíbrio químico em circuitos de recompensa do cérebro.

À medida que os centros de prazer do cérebro se tornavam cada vez menos sensíveis, os camundongos participantes do estudo passavam a comer mais rapidamente, chegando a fazê-lo compulsivamente. Ingerindo cada vez maior quantidade de alimentos, tornaram-se obesos. A compulsão pode ser comprovada quando os animais continuaram a comer compulsivamente, mesmo recebendo choques elétricos.

O que chamou a atenção dos pesquisadores foi que nos camundongos que receberam grande quantidade de drogas como cocaína e heroína, as mesmas mudanças ocorreram em seus cérebros. Para os cientistas, a explicação está nos mecanismos neurológicos subjacentes, que exerce papel importante tanto no desenvolvimento do uso compulsivo de drogas como no consumo exagerado de altos teores de calorias e gordura.

O estudo

Para o grupo de camundongos com alimentação hipercalórica, foram oferecidos alimentos com calorias de fácil obtenção e alta gordura, tais como bacon, salsicha e doces. Rapidamente a ingestão calórica dobrou, em relação à do grupo de controle.
As preferências dos camundongos pela alimentação calórica foi tão grande, que quando ofertada a dieta normal eles já não aceitavam mais. E assim permaneceram por cerca de duas semanas, passando fome, até que finalmente voltaram a se alimentar.

De acordo com os pesquisadores, isso acontece porque o corpo se adapta às mudanças, e isso inclui as comidas saborosas, que enviam estímulos ao centro de prazer do cérebro. Superestimulados, os sistemas se adaptam diminuindo sua atividade, e exigindo mais comida saborosa para evitar a recompensa negativa.

Alimentos x drogas

Constatada a semelhança entre o comportamento frente a alimentos ou drogas, os pesquisadores passaram a investigar o receptor de dopamina D2, que exerce papel importante na vulnerabilidade à dependência química e à obesidade.

A dopamina é liberada no cérebro a partir de experiências de prazer, como comida, sexo ou drogas. Quando há abuso de drogas, como a cocaína, o fluxo de dopamina é alterado, levando a eventuais mudanças físicas na resposta do cérebro à droga. O estudo mostrou que o mesmo acontece com o vício em comida. Ou seja, o consumo exagerado leva a uma resposta neuroadaptativa nos circuitos de recompensa do cérebro, semelhante ao vício de drogas, facilitando a obesidade ou a dependência de drogas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

RISCO CARDIOVASCULAR EM PAULISTANO.

Dados do primeiro Mutirão de Avaliação de Risco Cardiovascular de São Paulo revelaram que cerca de três em quatro paulistas apresentam pelo menos três desses fatores de risco. Entre eles estão a obesidade, junto ao tabagismo, hipertensão, sedentarismo e estresse. O levantamento foi promovido pela Secretaria Estadual de Saúde e pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socespe).

Os participantes da avaliação responderam sobre hábitos alimentares, atividades físicas, níveis de estresse e possíveis práticas de orações ou meditação. Foram coletadas medidas de circunferência abdominal, pressão arterial, peso e altura.

Realizado nas cidades de São Paulo e Campinas em meados de 2009, o trabalho teve a participação de 97.502 pessoas, sendo 64.587 mulheres e 32.915 homens atendidos nas unidades básicas de saúde, hospitais e postos de saúde. O Mutirão revelou que 26,7% apresentam risco moderado de desenvolver doenças cardiovasculares e 39,5%, baixo risco - que podem levar a infartos e acidente vascular cerebral (AVC).

Entre a população masculina avaliada, 42,84% têm alto risco, 29,11% apresenta risco moderado e 33,24%, baixo risco. As mulheres apresentam números menos preocupantes: 29,11 estão na faixa de alto risco, 28,23% apresentam risco moderado e 42,66% têm baixo risco.