sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Exercicio, Nutrição e cancer

odas as recomendações definidas para prevenção do câncer terão maior eficácia quando associadas àquelas que previnem a obesidade e outras doenças crônicas. Um indicativo disto é a combinação de alimentação com atividade física, de acordo com o novo relatório de Políticas e Ações para a Prevenção do Câncer no Brasil: Alimentação, Nutrição e Atividade Física, fruto da parceria entre o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro-RJ) no Projeto de Promoção do Consumo de Frutas, Legumes e Verduras (Projeto FLV).

O estudo revisa de forma sistemática os determinantes ambientais, econômicos, sociais e individuais dos padrões de alimentação, nutrição e atividade física, avalia a eficácia de intervenções e ações para prevenção do câncer e de outras doenças e apresenta amplas recomendações baseadas em evidência para políticas efetivas a curto e longo prazos.

Os pesquisadores encontraram, por exemplo, que com políticas para a melhoria da qualidade de vida, segurança e qualidade alimentar, é possível prevenir 63% dos casos de câncer de boca, faringe e laringe; 60% dos tumores de esôfago e 52% dos casos em que a doença atinge o endométrio, aliando a nutrição adequada com a prática esportiva.

Esta redução é especialmente importante diante do quadro vivido atualmente não apenas no Brasil. Em 2009, cerca de 11 milhões de pessoas em todo o mundo tiveram diagnóstico de câncer. São aproximadamente 8 milhões de mortes pela doença todos os anos. A estimativa mundial indica, ainda, que esse número deve aumentar, assim como o excesso de peso, a obesidade, os hábitos sedentários e, em muitos países, o tabagismo.

Os números do Inca revelam que a combinação de exercícios físicos e combate à obesidade correspondem à prevenção de 41% dos tumores de estômago, 34% de pâncreas e 37% do intestino grosso (colorretal). No total, 19% de todos os cânceres são preveníveis graças a essa associação.

O sedentarismo e o consumo de alimentos processados e ricos em sal, gorduras e açúcares tem contribuído para o aumento de peso, incidência de obesidade e o desenvolvimento de doenças crônicas, como as cardiovasculares e o câncer, até mesmo em crianças e adolescentes.

A publicação destaca medidas simples como consumir água potável e cuidados com a higiene e conservação dos alimentos, além de recomendar investimentos em educação alimentar a partir da infância para reverter o cenário atual.

Hábitos Modernos

As populações ao redor do mundo têm trocado as áreas rurais por cidades, adotando costumes sedentários e consumindo grandes quantidades de bebidas e alimentos industrializados. Nas regiões mais industrializadas, nas quais o suprimento de alimentos é garantido, ocorre um aumento rápido de peso, da obesidade e também de doenças crônicas, como as cardíacas e o câncer. Se ninguém fumasse ou fosse exposto ao tabaco, aproximadamente um terço dos atuais casos de câncer também seria prevenido.

Nas grandes capitais brasileiras, o estudo adverte que a situação é ainda mais complicada, pois o cidadão encontra uma série de obstáculos que impedem a prática diária de atividade física. Cidades como Belo Horizonte, Goiânia, Brasília e Palmas, projetadas para o transporte motorizado, ou naquelas urbanizadas precocemente, como São Paulo e Rio de Janeiro, as longas distâncias exigem ônibus ou carro, tornando as ruas congestionadas pelo tráfego e as vizinhanças divididas por vias expressas e as calçadas estreitas.

Utilizar o carro ou o transporte público para trabalhar ou para fazer compras no lugar da caminhada ou da bicicleta, portanto, acaba sendo a única forma encontrada pelos residentes destas regiões. A falta de parques grandes e espaços abertos é outro fator que afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas e, consequentemente, a saúde.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Depressão pode ser prevenida e tratada com exercícios e chá verde

Em mulheres com câncer de mama, a depressão frequentemente surge e na tentativa de prevenir este problema, pesquisadores da Universidade Vanderbilt, nos EUA, indicam a prática regular de exercícios e o consumo de chá verde. Artigo publicado no Journal of Clinical Oncology afirma que a prática de exercícios físicos e o consumo de chá verde podem cumprir um papel importante na prevenção da depressão entre sobreviventes do câncer de mama.

Em pesquisa com 1,4 mil mulheres chinesas com média de idade de 54 anos e tratadas contra o câncer de mama os pesquisadores observaram diversos benefícios entre aquelas que relataram fazer algum tipo de exercício – as voluntárias que se exercitavam eram 20% menos propensas a ser levemente ou clinicamente depressivas do que as sedentárias.

Ao avaliarem outros fatores do estilo de vida dessas mulheres, os pesquisadores descobriram que o consumo de chá verde também estava associado a menos chances de desenvolver depressão. Comparadas às mulheres que não consumiam a bebida com as participantes que ingeriam o chá regularmente, estas tinham 36% menor risco de desenvolver o problema de saúde.

Segundo os autores, apenas o chá verde e os exercícios foram associados a um menor risco de depressão. Porém, é importante ressaltar que o exagero no consumo de chá e na prática de atividades físicas, ou seja, uma “overdose” de ambos não apresenta os mesmos benefícios da moderação.

Além disso, mais estudos são necessários para confirmação e para avaliar se as mulheres de outros países e culturas e de diferentes regimes de tratamento apresentam os mesmos resultados.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Estado agora é responsável pela alimentação da população

O Congresso Nacional promulgou, em 4 de fevereiro, a Emenda Constitucional 64, que inclui o acesso à alimentação como um dos direitos sociais previstos no artigo 6º da Constituição. A Emenda tem origem na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 47 do Senado, de 2003, de autoria do senador Antonio Carlos Valarades, de Sergipe.

Até então, o texto constitucional previa como direitos sociais somente a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados.

Aprovada no início do mês, esta PEC atende a tratados internacionais aderidos pelo Brasil no intuito de garantir que as ações de combate à fome e à miséria se tornem políticas de Estado, não sendo sujeitas a mudanças administrativas. A inclusão do direito também pode ser uma ferramenta importante para garantir a manutenção ou criação de políticas de apoio à população mais carente, bem como de políticas de combate à miséria.

A partir de agora, portanto, o artigo 6º da Constituição terá o seguinte texto: "São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da constituição".

Para Rosane Nascimento, presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, o fato do Estado ser responsável pela alimentação do povo traz mais confiança na luta contra a fome. Ela imagina que com a medida, as políticas públicas voltadas para esta causa possam se tornar mais frequentes.

O novo texto foi publicado no Diário Oficial da União em 5 de fevereiro.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

IDEC - mostra que os sucos não faz tanto bem a saúde

Excesso de açúcar e adição de conservantes e corantes são os principais problemas apontados pela pesquisa realizada pelo Instituto

Pesquisa realizada pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) com 12 bebidas à base de fruta, comprados em supermercados da cidade de São Paulo, avalia a qualidade nutricional das bebidas, baseando-se na presença ou não de açúcar, aromatizantes e corantes, e as informações contidas nas embalagens, conforme a legislação vigente do setor.

Na análise do Idec, o poder da publicidade e do marketing é tão grande que uma simples embalagem pode nos levar a crer que determinada bebida é tão saudável quanto a fruta in natura que originou o produto. Mas, conforme explica Vera Barral, sanitarista e coordenadora da pesquisa, apenas o consumo de frutas in natura pode proporcionar o aproveitamento total dos nutrientes. "Os processos de fabricação dos sucos eliminam nutrientes. As fibras, por exemplo, raramente são encontradas em sucos", explica ela.

As bebidas industrializadas tendem a conter altos teores de açúcar. É o caso dos néctares (os sucos devem respeitar um limite de adição de sacarose). Tão práticos, os néctares, geralmente vendidos em embalagens de 1 litro, são diluições açucaradas de sucos concentrados. "Chegam a ter cerca de 20 gramas de açúcar por porção de 200 ml, o equivalente a duas colheres de sopa cheias", alerta Vera Barral.

Outro detalhe importante é que um dos corantes contidos nas bebidas, tartrazina, pode causar reações de natureza alérgica, entre as quais asma brônquica, especialmente em pessoas alérgicas ao ácido acetil salicílico, e por isso, em 18/01, por decisão da Justiça Federal de São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve editar em até 30 dias uma norma obrigando que seja mencionado, com destaque, os efeitos adversos do corante.

Avaliação e Resultado da Pesquisa

Adição de Açúcar
O único suco adoçado, o suco tropical de manga Jandaia, traz essa informação apenas na face da caixa escrita em inglês, contrariando o Decreto nº 6.871/09, que determina que a palavra "adoçado" seja acrescentada no rótulo principal do produto, junto ao seu nome. O mesmo deve ocorrer quando o adoçante utilizado for artificial.

Além disso, segundo esse mesmo Decreto, a quantidade de sacarose adicionada à bebida deve ser expressa à parte (separado da frutose). Por exemplo, o suco Jandaia de manga informa apenas que uma porção de 200 ml do suco contém 23 g de açúcar (ou seja, são 115 g por litro). No entanto, é impossível saber quanto dessa quantidade é proveniente da própria fruta e quanto foi adicionado.

Para o Idec a presença dessa informação em local visível ajuda o consumidor na hora da escolha. Segundo Vera Barral, consultora técnica do Idec, "É importante conferir se os açúcares adicionados estão discriminados na tabela de nutrientes, para que seja possível avaliar qualidade nutricional do produto".

O Idec não o reprovou nesse quesito porque a bebida foi produzidas antes de 2 de dezembro de 2009, antes da aprovação do decreto e não precisava seguir tal determinação. Mas vale a dica para o consumidor estar atento às bebidas fabricadas depois dessa data.

O excesso de açúcar causa prisão de ventre, dificulta a digestão e favorece a obesidade. Portanto, deve ser consumido com parcimônia.

Aromatizantes Corantes e Conservantes
Em relação aos aromatizantes - aditivos que realçam ou conferem aroma aos alimentos, já que os processos de fabricação podem fazer com que o sabor e a cor desapareçam ou fiquem menos acentuados - três bebidas foram reprovadas por não informar a presença desses aditivos no rótulo, o que contraria o Informe Técnico 26/2007 da Anvisa: suco tropical de manga Su Fresh fit, néctar de uva Disfrut e, novamente, o suco Jandaia de manga. As duas primeiras têm aromas naturais em sua fórmula e a terceira tem aroma idêntico ao natural (isto é, sua molécula é quimicamente idêntica à do aroma natural, mas obtida por síntese).

Apenas dois dos produtos avaliados continham corantes - bebida mista de frutas verdes Skinka, que continha tartrazina; e bebida de frutas sabor uva Del Valle Frut, tem os corantes amaranto, tartrazina e azul brilhante. O rótulo de ambos trazia essa informação, conforme prevê o Decreto-Lei nº 986/69.

O conservante, benzoato de sódio está presente em quatro das bebidas analisadas: suco tropical de maracujá Carrefour, suco de abacaxi Maravilha, suco tropical de manga Jandaia e bebida de frutas verdes Skinka, que ainda contém tartrazina.

Outro dado que chamou a atenção do Idec é que alguns produtos utilizam ácido ascórbico (a vitamina C) como conservante. O problema é que essa porção de vitamina C extra consta da tabela de informação nutricional, o que pode fazer o consumidor acreditar que aquela bebida é saudável. É o caso do suco tropical de manga Su Fresh fit, do suco de manga Jandaia e da bebida de frutas verdes Skinka. Além disso, os três trazem no rótulo apelos do tipo "rico em vitamina C".

Os corantes tartrazina (INS102) e amaranto (INS123) e o conservante benzoato de sódio (INS211) são apontados como causadores de reações alérgicas e estão ligados ao aumento de distúrbios de atenção e hiperatividade infantil.

Glúten
Por fim, o suco de laranja orgânico Ecocitrus foi reprovado por não informar na embalagem que não possui glúten em sua composição.

O glúten (proteína presente no trigo, centeio, cevada, malte e aveia) acomete indivíduos com predisposição genética, que não podem ingerir qualquer quantidade de glúten, por toda a vida, sob risco de desenvolverem complicações malignas, como linfoma intestinal, assim como, complicações não malignas, como osteoporose. A dieta isenta de glúten é o único tratamento da Doença Celíaca.

Novo Decreto: Suco, néctar ou refresco?
Os produtos, classificados como suco, néctar e refresco, têm características distintas e devem seguir padronização, conforme determina o Decreto nº 6.871, de junho de 2009, válido, para as bebidas que foram produzidas a partir de 02 de dezembro de 2009.

Uma das principais diferenças entre as bebidas à base de frutas é o teor mínimo de polpa de fruta (isto é, da fruta em si) que cada uma precisa ter. O suco é o que tem a maior concentração. Em seguida vem o néctar e, por último, o refresco (também chamado de bebida de fruta). Mas esses percentuais mínimos variam caso a caso, já que cada fruta tem uma particularidade. Por exemplo, quando você faz um suco caseiro, provavelmente adiciona mais água a um de goiaba do que ao de laranja. O teor mínimo de cada fruta é previsto por Instrução Normativa do MAPA - Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

Contudo, a legislação ainda é falha, confusa e cheia de brechas. Por exemplo, o percentual mínimo de pêssego para néctares é de 30%, mas para sucos ele não é estipulado. Um problema detectado pelo Idec na legislação é a não obrigatoriedade de se informar o teor de polpa de fruta nas embalagens.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Dieta e Diabetes.

LEIAM ESSA MATERIA QUE SAIU NA ABRIL.

http://www.abril.com.br/blog/dieta-nunca-mais/2010/01/comer-frutas-pode-transformar-sua-qualidade-de-vida-e-seu-peso/

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Anomalia genética e obesidade

Pesquisa realizada, em colaboração, por pesquisadores de 13 instituições científicas européias descobriu que a perda de uma minúscula parte do cromossomo 16 aumenta em 50 vezes os riscos de excesso de peso e de obesidade grave. Isto explicaria em torno de 1% dos casos. As conclusões foram publicadas na revista científica Nature desta semana.

O grupo de pesquisadores europeus – da qual fazem parte o Imperial College de Londres, a equipe suíça do professor Jacques Beckmann e uma equipe do Centro Nacional de Investigações Científicas de Lille, França – estudou o DNA de 16 mil europeus, de diversos pesos. Entre eles, foram encontrados 19 com a chamada “microdeletion” do cromossomo 16, ou perda de uma parte ínfima do mesmo. Todos apresentaram excesso de peso na infância/adolescência, passando à obesidade na idade adulta.

Prevenção
A anomalia, segundo os cientistas, além de explicar cerca de 1% dos casos de obesidade comum, leva à compreensão de 3% dos casos de indivíduos com excesso de peso e que apresentam problemas de desenvolvimento mental.

Um dos autores do estudo, professor Phillipe Froguel, assinala que os resultados abrem caminho para a prevenção na infância, a partir da identificação das causas genéticas da doença, o que valeria também para diabetes, hipertensão etc. Segundo o pesquisador, a pesquisa confirmou também a relação entre obesidade e doenças neuro-psiquiátricas, indicando que ela pode ser uma doença neuro-comportamental.