sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Programa para prevenir obesidade juvenil

A obesidade é uma epidemia globalizada. Atualmente, entre os adolescentes escolares, 30% apresentam excesso de peso. Muitos fatores estão relacionados na gênese da obesidade, como os genéticos, fisiológicos e metabólicos, mas os que melhor explicam este rápido aumento estão relacionados à alimentação e ao estilo de vida.

Crianças e jovens obesos podem sofrer os mesmos males que adultos nesta situação, como hipertensão e diabetes do tipo 2. Ainda apresentam mais chances para problemas graves no futuro, como doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer.

Diversos estudos comprovam que a obesidade é multicausal e, ainda, pode incluir
problemas familiares levando a um desequilíbrio emocional. “Nem sempre o problema está na falta de conhecimento de uma alimentação balanceada. Os excessos cometidos pelos jovens têm causas, às vezes, no âmbito familiar”, afirma a nutricionista Simone Freire, coordenadora do PAPO - Programa de Atividade para o Paciente Obeso, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Um dos pontos fundamentais no tratamento de jovens, bastante priorizado no atendimento do PAPO, são os laços familiares. “Podemos afirmar que uma das causas da obesidade é o fraco vínculo do adolescente com a família. O suporte de pessoas próximas é muito importante para o tratamento“, alerta a nutricionista.

No programa, outros aspectos que não estão diretamente relacionados à alimentação e à prática de atividade física são trabalhados por uma equipe multiprofissional.

“Temos médicos, psicólogos, professores de teatro, de dança e até mesmo uma profissional de moda, que vai trabalhar a percepção corporal utilizando as roupas escolhidas por cada uma delas. Buscamos resgatar a auto-estima, que geralmente vem escondida sob muita roupa pesada de cor escura, inclusive no verão, nos dias mais quentes”, explica.

Segundo Simone, mesmo estando acima do peso, estas meninas podem usar roupas coloridas e, para isso, esta profissional oferece dicas para combinar as peças adequadamente.

Outra novidade utilizada no grupo é o Qi-Mental, uma prática chinesa da medicina, que ajuda os adolescentes a traduzir a linguagem do corpo e da psique com relação ao seu excesso de peso, de forma que possam conectar com seus sentimentos e mobilizá-los a favor das mudanças desejadas.

A nutricionista também destaca a importância do contato com outras jovens que convivem com os mesmos problemas, dúvidas e angústias. “Este contato com as colegas acaba sendo um estimulo muito forte, por que elas vivenciam as mesmas dificuldades e com isto adquirem consciência de quem são, do que querem e do que precisam para mudar. Juntas, acabam se fortalecendo e lidando melhor com as dificuldades”.

Programa de Atividade para o Paciente Obeso

O Programa de Atividade para o Paciente Obeso (Papo), da Unifesp, atende gratuitamente adolescentes do sexo feminino de 13 a 17 anos de idade.

O serviço já existe há dez anos e há dois é coordenado pela nutricionista Simone Freire. Nos últimos quatro anos, aproximadamente 80 meninas foram atendidas, com evasão aproximadamente de 15% por grupo trabalhado. “Dentro de programas para emagrecimento, é muito comum um número expressivo de desistentes, visto que ao iniciar o programa muitas meninas ainda não estão na fase de contemplação, ou seja, ainda não estão pensando em mudar suas atitudes”, afirma a coordenadora.

Realizado pelo Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente, coordenado pela disciplina de Pediatria da Unifesp, o programa trabalha com atuação interdisciplinar e motivadora, levando o grupo a mudanças nos comportamentos motor, alimentar e emocional. Atualmente, a equipe é composta por diversas áreas de atuação com objetivos e conteúdos complementares: dança; educação física; modalidades esportivas; educação nutricional; teatro/moda; psicologia e Qi-Mental.

O principal objetivo do programa é a conscientização das jovens para o problema e trazer de volta a auto-estima. “A duração do programa é curta para a mudança do estado nutricional. Ainda assim, as meninas conseguem diminuir de 3% a 5% do peso inicial, o que é um ótimo resultado para mudanças em vários padrões, sejam eles bioquímicos e de comportamento. Esta diferença já é muito expressiva para melhora da pressão arterial, redução da hiperglicemia e hiperlipidemia, assim como melhora da auto-estima, que pode ser entendida quando as adolescentes mudam o padrão de roupas e melhoram o vínculo social com os familiares e amigos, por exemplo”.

A partir deste ano, o Papo realizará suas atividades duas vezes por semana no Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente (CAAA), na rua Botucatu, 715 – Vila Clementino, São Paulo.

As inscrições para o novo grupo estão abertas e devem ser feitas exclusivamente pelo telefone (11) 5576-4360, de segunda à sexta-feira, das 8h às 16h até o dia 29 de janeiro.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sono, Cintura e cancer

Introdução:

A obesidade abdominal, detectada através das medidas de circunferência da cintura (CC), do quadril (CQ), e do coeficiente cintura/quadril (CC/CQ), está relacionada ao aumento do risco de morte de diversas doenças, assim como o índice de massa corporal elevado (IMC). Esse risco aumentado de morte tem surgido em indivíduos jovens e em indivíduos com baixo índice de massa corporal, mas que apresentam obesidade abdominal.

O objetivo do artigo é avaliar a natureza, as conseqüências e a relação entre as medidas: CC, CQ, CC/CQ e IMC, a partir da revisão de estudos epidemiológicos prospectivos. A intenção da revisão é verificar se há ou não correlação entre obesidade (principalmente abdominal), caracterizada a partir das medidas, e os casos de morte por câncer e apnéia do sono.

Estudos:

O maior estudo sobre o assunto é o EPIC (Investigação Prospectiva sobre o Câncer), com 359.387 participantes de 9 países da Europa, no qual, durante quase 10 anos de estudo, morreram 14.723 pacientes. O estudo mostrou que o risco relativo de morte era maior entre os indivíduos que possuíam os menores IMCs mas apresentavam valores aumentados de coeficiente e circunferência da cintura. Em todos os casos de morte havia uma forte correlação entre o fato e as circunferências e coeficientes elevados, tanto em homens quanto em mulheres.

Welborn e Dhaliwal (2007) mostraram, em um estudo que durou 11 anos, com 9309 adultos australianos urbanos, de 20 a 69 anos, que o coeficiente cintura/ quadril era superior aos demais indicadores, na capacidade de prever o risco relativo de morte. Simpson et al. (2007) acompanharam 16.969 homens e 24.344 mulheres por 11 anos, com idade entre 27-75 anos e verificaram um risco maior de morte, entre 20 e 30 %, nos pacientes que possuíam IMC, CC e CC/CQ, aumentados.

Simpson et al. (2007) acompanharam 16 969 homens e 24 344 mulheres, entre 27 e 75 anos, participantes do Melbourne Collaborative Cohort Study e verificaram um aumento entre 20 e 30% no risco de morte entre os pacientes que possuíam qualquer índice indicativo de obesidade elevado.

Discussão dos Resultados:

A circunferência da cintura e o coeficiente cintura/quadril medidas semelhante no que diz respeito à capacidade de prever o risco relativo de morte. Ambos se mostraram melhores preditores de morte que o IMC, particularmente em idosos, faixa etária em que a relação entre IMC e mortalidade costuma ser inversa. A circunferência da cintura é, por si só, um bom preditor de risco relativo.

A relação entre obesidade e câncer foi indicada na perspectiva global do World Cancer Resarch Fund sobre Alimentos, Nutrição, Atividade Física e Prevenção do Câncer. Este documento mostra uma forte associação entre obesidade e câncer de esôfago, pâncreas, colo-retal, de mama, de endométrio, de colo do útero, de pulmão e de vesícula biliar.

A prevalência de apnéia do sono em pacientes obesos não mórbidos ultrapassa os 30%. Nos casos de obesidade mórbida, a prevalência sobe, ficando entre 50% e 80%. De 60-90% dos pacientes adultos com apnéia tinham, ao menos, excesso de peso. A partir das análises desses dados é possível verificar forte correlação entre obesidade e apnéia do sono.

Conclusão:

Há poucas evidências de que a circunferência da cintura possa ser mais significativa que o IMC na determinação dos riscos de câncer, devido ao baixo número de estudos de coorte que buscam relacionar tal índice à doença.

A obesidade é, também, um fator de risco para o aparecimento de apnéia do sono. Para esta patologia, a circunferência do pescoço é um bom indicador de risco, bem como o coeficiente cintura/quadril.

De acordo com o trabalho, a circunferência da cintura pode substituir o IMC e o coeficiente cintura/quadril, como fator único na determinação do risco de morte por qualquer causa.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Projeto de Lei: Assentos Especiais para Obesos

Visando o conforto das pessoas com obesidade mórbida, a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado vai analisar proposta da Senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) que pretende tornar obrigatório no país a instalação de assentos especiais em ônibus, aviões, barcas, trens e metrôs - a exemplo, neste último caso, do que já ocorre em cidades como São Paulo.

Além de livrar os obesos mórbidos de situações frequentemente constrangedoras, o Projeto de Lei (PLS 578/09) quer conceder a eles tratamento prioritário igual ao que já vigora para idosos, gestantes, deficientes físicos e pessoas com crianças no colo.

A Senadora Seres Slhessarenko argumenta, em sua justificativa, que a obesidade mórbida – considerada um problema de saúde pública nos dias atuais – impõe enormes limitações a essa parcela da população. Segundo ela, “a inadequação dos assentos, nos veículos de transporte, às características das pessoas obesas enseja situações de sofrimento e constrangimento que caracterizam inaceitável discriminação”.

Acréscimo no Preço
O PLS 578/09 dá direito às empresas operadoras de transporte (incluindo o transporte coletivo urbano) a um acréscimo de 25% sobre o valor da tarifa, mas só nos casos em que a pessoa não conseguir acomodar-se em uma única poltrona especial, e precisar de dois assentos contíguos.

Se for aprovada na Comissão de Serviços de Infraestrutura, a proposta terá que passar, ainda, pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, em regime de decisão terminativa - que tem valor de uma decisão do Senado, podendo ser enviada diretamente à Câmara.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Compras e emagrecimento

Uma pesquisa encomendada pela Debenhams mostrou que a média de gastos calóricos em mulheres ao fazer compras é de 385, por semana.

Foram entrevistadas 2000 mulheres, que disseram ficar mais cansadas após um dia de compras do que um treino da academia, porém dois terços delas não consideram a atividade um exercício.

Duas horas seguidas de compras podem queimar 283 calorias, enquanto três horas podem matar todas as calorias de um Big Mac.

De acordo com a pesquisa, 248 Km são percorridos, por ano.

As mulheres gastam, em média, 2,5 horas em compras por semana, ou seja, 4,7 Km. Já os homens andam apenas 50 minutos e completam 2,4 Km.

Outra pesquisa, da linha se sobremesas Nestlé Skinny Cow, cientistas calcularam que as mulheres queimam, em média, 5 calorias por minuto que gastam olhando prateleiras, o que dá quase 48 mil por ano.

O estudo mostrou, também que as mulheres gastam cerca de 13 horas por mês em supermercados, shoppings e lojas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Obesos: Risco Maior de Câncer Renal

Estudo publicado na edição de janeiro do British Journal of Urology International revela que o excesso de peso pode significar risco maior de desenvolver a forma mais comum de câncer renal, o carcinoma de células claras.

Após avaliarem 1600 pacientes com tumores nos rins, os pesquisadores do Departamento de Cirurgia do Memorial Sloan-Ketterin Cancer, de Nova Iorque, EUA, descobriram que os obesos apresentam uma probabilidade 48% maior de desenvolver câncer renal. Mais: cada ponto extra no Índice de Massa Corporal (IMC) pode aumentar o risco em 4%.

A pesquisa revelou que a obesidade está, de forma significativa, associada ao carcinoma renal de células claras: 38% dos pacientes com câncer renal eram obesos, subindo para 42% nos casos de carcinoma de células claras.

Embora os motivos dessa associação ainda não estejam claros, os pesquisadores norte-americanos tendem a acreditar que o aumento no risco de câncer renal acontece devido a alterações hormonais, hipertensão, redução da função imunológica ou diabetes nos pacientes obesos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O QUE É PRÉ DIABETES ?

Antes do desenvolvimento do diabetes tipo 2, as pessoas normalmente passam pelo estado de pré-diabetes, em que o nível de glicemia é maior que o normal, mas não alto o suficiente para caracterizar o diabetes, que está entre 100 mg/dl e 125 mg/dl no exame da glicemia em jejum, ou entre 140 mg/dl e 199 mg/dl na segunda hora do teste de curva glicêmica. Nem todos os pré-diabéticos tornam-se, necessariamente, diabéticos, mas este estado de saúde requer uma atenção maior devido ao risco da progressão.
O número de casos diagnosticados de diabetes tipo 2 vem sofrendo aumento decorrente, principalmente, de obesidade e inatividade física. E são justamente os ndivíduos com sobrepeso ou obesidade os que apresentam risco maior de desenvolver a progressão para diabetes tipo 2 quando pré-diabéticos.
Diversos estudos avaliaram a eficácia de intervenções no estilo de vida e medicamentosas sobre a redução da resistência à insulina em indivíduos pré-diabéticos e as conclusões mostram que mudanças para uma vida mais ativa e saudável podem ser tão eficientes e menos invasivas do que o tratamento medicamentoso.
A adoção de hábitos de vida mais saudáveis, como uma dieta hipocalórica e hipogordurosa e 150 minutos por semana de atividade física em intensidade moderada foi responsável pela redução de peso e chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2 em indivíduos com pré-diabetes.
A perda de peso parece ser a variável mais importante para estes resultados, pois 1 Kg de peso corporal perdido está associado com uma redução de 16% de risco para diabetes. Entretanto, indivíduos que mudaram seus hábitos de vida e não necessariamente perderam peso, também apresentaram resultados positivos.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Benefícios da substituição do sal para a saúde cardiovascular

A atual recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o consumo diário de sal não exceda 6 g por dia, o que equivale a uma colher de chá. No entanto, o consumo está muito além disso. Nos países ocidentais chega a 10 g em média, enquanto que no Brasil, assim como nos países asiáticos e na Europa oriental atinge 12 g.

Para se ter uma ideia, um estudo recém-publicado pelo periódico British Medical Journal revela que uma redução de pelo menos 5 g no consumo diário de sal seria capaz de diminuir o risco de acidente vascular cerebral em 23%, e o de doenças cardiovasculares em 17%.

Isso significa que a redução do consumo de sal evitaria mais de um milhão de mortes ao ano por acidente vascular cerebral e outras três milhões por doenças cardiovasculares em todo o mundo, no mesmo período.
A explicação para isso está no fato do consumo de sal estar diretamente ligado a hipertensão arterial, que por sua vez está presente em cerca de 50% dos casos de doença das coronárias e em 60% dos acidentes vasculares cerebrais.

Estudos também têm alertado para um novo aliado da pressão arterial: o potássio. Já é consenso entre especialistas que o consumo regular de potássio é capaz de reduzir a pressão arterial. O ideal, portanto, é que pouco a pouco o sódio seja substituído pelo potássio em benefício da redução do risco de doenças cardiovasculares.

Sódio e potássio

Para aumentar o consumo de potássio, abuse de alimentos como feijão, ervilha, vegetais verde-escuros, banana, melão, cenoura, beterraba, frutas secas, tomate, batata inglesa e laranja. Na outra ponta, podemos começar a reduzir o consumo de sódio com a simples medida de retirar o saleiro da mesa. Para temperar a comida, o sal e outros condimentos industrializados devem dar lugar a ervas como a sálvia, tomilho, louro, cebolinha, alecrim, e outros, que podem temperar a comida adequadamente. Devem ser evitadas as conservas, enlatados e salgadinhos, bem como carnes processadas, embutidos e fast food.

LEI ANTI-OBESIDADE

Projeto de Lei PLS 181/08, em tramitação no Senado, quer conceder isenção de impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para alimentos dietéticos. O autor do projeto, Senador Renato Casagrande (PSB-ES), argumenta a necessidade de estimular o consumo de alimentos mais saudáveis, “como forma de combater a obesidade”.

O parecer favorável do Senador Raimundo Colombo (DEM-SC) sobre o projeto de lei está pronto para entrar na pauta de votação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), depois de passar pela aprovação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

O texto do PLS 181/08 estipula que os produtos dietéticos fiquem isentos do PIS, PIS/PASEP e Cofins. Em caso de aprovação, a lei só será posta em prática no primeiro dia do exercício financeiro seguinte.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Treino para o coração reduz em 40% o risco de doenças

Além dos benefícios para quem deseja emagrecer, os exercícios são conhecidos pelas vantagens que trazem à saúde e os benefícios ao coração destacam-se entre eles. Com o treino certo, seu coração trabalha muito melhor e com menos esforço. "Enquanto um sedentário tem de 80 a 100 batimentos por minuto, uma pessoa condicionada está entre 60 e 70 bpm" , afirma o professor Paulo Mazzeu, da academia Competition. "Pode parecer pouco, mas essa melhora na eficiência diminui em 40% o risco de problemas cardiovasculares" .

Numa entrevista ao MinhaVida, ele explica como os exercícios ajudam você a manter a eficiência do coração e desfaz a lenda de que a musculação pode ser ignorada caso seu objetivo seja, simplesmente, melhorar o condicionamento físico.

Que exercícios favorecem o sistema cardiovascular?
Para favorecer o sistema cardiovascular, os exercícios precisam elevar a frequencia cardíaca. É o caso da caminhada, da bicicleta, da natação, corrida, rotex, aulas de step e jump fit.

Quais são os melhores estímulos para o coração?
Os melhores estímulos são a mescla de dois tipos de treino. O treino contínuo e o intervalado. Como o próprio nome diz, o treino contínuo caracteriza-se pela manutenção da frequencia cardíaca em uma mesma intensidade (70% da frequencia cardíaca máxima, por exemplo) e tem, como principal benefício, a dilatação das câmaras cardíacas, algo fundamental para a melhora do rendimento do coração.

Já o treino intervalado beneficia a saúde cardiovascular pela sua capacidade de fortalecer o miocárdio (músculo cardíaco), aumentando a eficiência de bombeamento de sangue realizado pelo coração. Este treino caracteriza-se pela variação da frequencia cardíaca. Tentamos atingir uma intensidade mais alta por determinado tempo (correr a 90% da frequencia cardíaca máxima por 2 minutos, por exemplo) e, em seguida, propiciar uma recuperação parcial do corpo (caminhar até atingir 70% da frequencia máxima, por exemplo). O número de séries vai depender do condicionamento de cada indivíduo.

Como os outros músculos, o coração aumenta de tamanho por causa do treino?
Sabemos que atletas com grande adaptação cardíaca demonstram um aumento do tamanho das cavidades (principalmente do ventrículo esquerdo) e da grossura do miocárdio. Com os aumentos da força de contração, do volume sanguíneo e do ventrículo cardíaco, o coração passa a bombear mais sangue por minuto com menos esforço. Enquanto um sedentário tem de 80 a 100 batimentos por minuto, uma pessoa condicionada está entre 60 e 70 bpm. Pode parecer pouco, mas essa melhora na eficiência diminui em 40% o risco de problemas cardiovasculares.

A musculação também ajuda o coração? Ou não faz diferença?
A musculação melhora a economia de movimento, ou seja, se os seus músculos estão mais fortes, você consegue realizar as atividades com menor esforço. Isso atrasa a exaustão do corpo e permite que você faça treinos mais puxados. Outro benefício que a musculação gera ao coração é o aumento da pressão arterial diastólica, o que garante maior fluxo sanguíneo nas artérias coronárias.

É melhor usar aparelhos ou fazer aulas?
Os aparelhos são uma ótima opção para alunos iniciantes, pois o controle da velocidade de execução, amplitude de movimento e técnica são maiores. Já os alunos com maior vivência esportiva podem partir para as aulas em razão de terem maior consciência corporal.

Como manter o estímulo (e não deixar que o coração permaneça numa espécie de platô)?
Os grandes especialistas em saúde cardiovascular sugerem que a variação da modalidade é mais benéfica do que a manutenção da mesma atividade aeróbia. Desta forma, se eu faço natação na segunda-feira, corrida na quarta-feira e pedalo no final de semana, eu propicio maior benefício à saúde cardiovascular do que a mantendo o mesmo gasto esportivo. A variação de treino contínuo e intervalado também mostrou-se mais eficaz no aumento do consumo de oxigênio.

Qual o melhor exercício para o coração?
Sabemos que é necessário grande equilíbrio na prescrição dos treinos para que o aluno não entre em "overtraining" (excesso de treinamento) e venha a ter uma lesão músculo-esquelética. Hoje em dia, a caminhada em esteiras com velocidade entre 4,0 e 6,0 km/h (acima disso poderá prejudicar a coluna lombar) e com inclinação entre 2 e 12% (sem segurar na barra de apoio) é uma atividade cardiovascular excelente. Ao mesmo tempo em que consegue elevar a frequencia cardíaca para uma zona de treinamento mais eficaz do que uma caminhada normal, este tipo de treino tem uma sobrecarga articular muito menor para os tornozelos, joelhos e coluna do que o treino de corrida tradicional.

7 mitos sobre emagrecer com exercícios físicos

Professores de Educação Física que trabalham diariamente com pessoas que querem emagrecer a todo custo – principalmente no verão – costumam escutar bobagens absurdas. Com Marcio Atalla, colunista de ÉPOCA (leia aqui suas colunas), não é diferente. Junto com ele, ÉPOCA apurou sete mitos mirabolantes que servem de muletas às frustrações de não conseguir emagrecer. Segundo Atalla, para a atividade física ter resultados, ela precisa de três fatores: frequência com que é feita na semana, duração do exercício e intensidade com que ele é feito. Você caminha no parque papeando com a amiga e acha que vai emagrecer? Ledo engano. Mas, ainda assim, é melhor do que ficar em casa, parada e, pior, comendo. Leia os mitos abaixo e confira se você está cometendo alguns desses pecados.

1. Subir escadas faz perder gordura localizada
Mito dos brabos. O primeiro problema é que a pessoa que acredita nisso e começa a subir escadas em vez de ir de elevador não consegue ultrapassar o segundo andar. Mesmo que consiga chegar ao quarto, sua respiração estará tão ofegante que ela irá parar. Esse exercício que ela acabou de fazer foi anaeróbico, fazendo seus batimentos cardíacos dispararem. Para perder gordura localizada indica-se exercícios aeróbicos e durante 30 minutos, ou mais, permanecendo numa frequência cardíaca não tão alta. "Uma pessoa sedentária não vai conseguir manter essa atividade porque sua frequência vai subir, e frequência alta não é eficiente para perder gordura", diz Atalla.

O que há de bom em subir as escadas: A Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere que uma pessoa suba 9 andares por dia. Essa sugestão faz parte de uma campanha para que a população mundial comece a se movimentar mais, no combate à obesidade. Além disso, tal atividade melhora o condicionamento físico. Mas não adianta subir três lances de escada e pegar o carro para ir à padaria, que fica a três quadras da sua casa – as ações precisam ser tomadas em conjunto. Uma hora subindo escadas gasta em média 1.000 calorias. Mas nem mesmo um profissional treinado consegue passar dos 20 minutos...


2. Abdominal emagrece
Mito barrigudo. Nenhum abdominal do mundo pode fazer emagrecer. Ele não é suficiente para perder gordura localizada. Esse tipo de exercício fortalece a musculatura, mas não faz a gordura desaparecer. A pessoa que faz muitos abdominais todos os dias pode até ter uma barriga tanquinho, mas debaixo de uma pancinha de gordura.

O que há de bom nos abdominais: combinado a exercícios aeróbicos, que irão queimar as gorduras, podem revelar um abdome durinho.


3. Malhar em jejum emagrece
Mito perigoso. Ao levantar, normalmente um pessoa está há oito horas sem comer e com a taxa de glicose bem baixa no sangue. Com a glicose baixa, e para todas as atividades físicas, de tomar banho a malhar, o corpo deverá se alimentar de outra fonte de energia e, antes de escolher a gordura, foca na massa muscular. A pessoa acaba perdendo massa muscular sem perder gordura. E pode até desmaiar. Antes de malhar, coma uma fonte de carboidrato leve, uma fruta, um suco ou um pedacinho de pão. E, ao longo das duas horas posteriores à atividade, faça uma refeição mais completa. Essas horas são as mais importantes para se alimentar. É nesse momento que seu metabolismo está acelerado, hora certa de repor os carboidratos, proteínas e boas fontes de gorduras (como azeite, castanha e leite desnatado), perdidos durante o exercício.

4. Suar significa emagrecer
Mito molhado. "Eu vejo gente que coloca roupas superpesadas para transpirar mais durante o exercício, pensando que isso ajuda a emagrecer", diz Atalla. Pelo contrário: a pessoa vai desidratar, cansar-se mais rapidamente, fazer menos atividade física porque vai parar antes do que deveria e o resultado só piora. Da mesma forma, medicamentos diuréticos, que aceleram a eliminação da água do corpo através da urina, fazem perder até 2kg. No dia seguinte, a pessoa que ingeriu o remédio repõe naturalmente esses quilinhos apenas com as refeições tradicionais. Pior: os diuréticos fazem o corpo perder muitos sais minerais, causando um desiquilíbrio de cálcio e potássio que é muito perigoso. "E começa a fica mais perigoso ainda em mulheres perto dos 40 anos, próximas à menopausa. Perder cálcio pode levar à osteoporose", afirma o especialista.


5. Musculação não emagrece
Mito forte. Apenas um exercício localizado não faz emagrecer. Mas fazendo todos os exercícios da musculação, você pode emagrecer, sim. Como? Aumentará sua massa muscular, o que faz aumentar seu metabolismo. Para o corpo continuar vivo, precisa de 40 calorias por dia para manter 1kg de músculo. Para manter 1kg de gordura, bastam 5 ou 6 calorias. Ou seja, o gordinho tem um metabolismo menor que o musculoso, sendo que este último precisa de muito mais calorias só para respirar (e provavelmente tem hábitos mais saudáveis que o primeiro).

6. Caminhar emagrece
Mito leve. Não é o simples fato de caminhar que faz emagrecer e eliminar gorduras, mas o ritmo correto da caminhada. Se a pessoa consegue caminhar e conversar, está muito leve. Por outro lado, se ela não consegue trocar nenhuma frase com outra pessoa, a caminhada está muito pesada. O ideal é que ela não esteja tão confortável a ponto de não conseguir conversar e nem tão ofegante que não consiga falar direito. Outro detalhe é o tempo. Indica-se ao menos 30 minutos de caminhada porque, a partir do vigésimo minuto, a gordura passa a ser fonte primária da queima de energia no exercício físico. "Uma boa dica é da OMS: acumular 150 minutos durante a semana, ou 30 minutos por cinco dias", afirma Atalla.


7. É melhor não fazer nada do que ser atleta de fim de semana
Mentira. Fazer exercício físico só no fim de semana é melhor do que não fazer nunca, mas deve ser controlado: tanto na intensidade quanto no tempo – de 1h a 2h. Não pode exagerar: jogar três partidas seguidas de futebol, por exemplo, pode ser prejudicial. Esse tipo de "atleta de fim de semana" controlado consegue melhorar um pouquinho seu sistema cardiovascular, mas não vai emagrecer. A atividade física é importante porque mantém os fatores de risco mais controlados, diminuindo a glicemia e a pressão.